Os primeiros anos na vida de criança são fundamentais para a construção de habilidades cognitivas e socioemocionais que serão carregadas por ela até a fase adulta. Nesse período, exitem muitos atores que podem impedir um desenvolvimento pleno e, consequentemente, na diminuição ou no aumento da desigualdade social na sociedade.

A educação infantil (um desses principais atores influentes) é divida em 3 fases: até os três anos de idade, com as creches; aos 4 e 5 com a pré-escola e, a partir dos 6 anos, com o ingresso no ensino fundamental. Diante da importância de tais instituições fica a questão:

Qual é a realidade da primeira infância em um país tão imenso e desigual como o Brasil? O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), responsável por tais estatísticas, apresenta uma série de indicadores que demonstram a realidade e aponta demandas. Dê uma olhada nelas abaixo!

Cenário da educação infantil no Brasil

De acordo com o Censo Escolar, referente a 2017, as 67,8 mil creches atuantes no Brasil (soma das públicas e privadas) atendem apenas 30,4% (3,4 milhões de crianças) da população dessa faixa etária. As privadas — inacessíveis às famílias carentes — totalizaram 40,6% do total de creches, número que corresponde a 27,1 mil instituições.

educação infantil brasileira

No âmbito das instituições públicas, a infraestrutura para a educação infantil nos primeiros anos de vida é responsabilidade dos municípios, o que explica parte da carência de creches, uma vez que as prefeituras estão no nível de administração pública mais sensível a verbas.

Já o cenário da pré-escola é um pouco melhor, 90,2% da população na faixa etária é atendida, esse número corresponde a 5,1 milhões de alunos. Quase um quarto das matrículas são em ensino particular (23,2% ou 1,1 milhão de estudantes).

Os primeiros anos do ensino fundamental (6 a 10 anos de idade) são o período de maior cobertura, em que 115,4 mil escolas atendem 99,5% da população — 10,8 milhões de crianças na rede pública e 4,9 milhões no ensino particular.

Educação em outros países

Países que são referência em educação, como Finlândia e Japão, praticam modelos bem distintos do formato brasileiro. Em 2017, tais países ocuparam, respectivamente, primeiro e segundo lugar no ranking da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que abrangeu 35 países; o Brasil ficou com a 34ª colocação. Trabalhar conteúdos de maneira interdisciplinar, garantir pensamento crítico, cidadania e responsabilidade, na prática, são alguns pontos de destaque.